Mês: agosto 2015
Pancadaria sonora
As mulheres nem sempre tem sido louvadas pelos nossos compositores. Existem os adeptos da surra terapêutica e do carinho paleolítico. O Carnaval, na sua irreverência é o maior manancial de temas onde são receitadas as sacudidelas como corretivo ou como insólita manifestação de ternura. (mais…)
Quero chorar, tenho lágrimas
Se misturarmos num caldeirão os filmes mexicanos da década de 50, “Suplício de uma Saudade”, “Love Story”, as novelas cubanas, o Grand-Guignol, os livros “Coração”, “A cabana do Pai Tomáz” e “Dama da Camélias”, a estranha beberagem séria, garanto, menos lacrimogênica que as letras de canções brasileira que vamos carpir aqui. Comecemos pelos clássicos. O mais famoso sem dúvida é o “Coração Materno”. De Vicente Celestino, regravado por Caetano Veloso. A história é horripilante: a amada do campônio numa brincadeira sádica pede-lhe o coração da mãe como prova de amor e o debilóide cumpre ao pé da letra: (mais…)
O eterno Noel Rosa
Em 1990 o livro “Noel Rosa, uma biografia” de João Máximo e Carlos Didier, tornou-se um “best-seller” mostrando a perenidade do mito. É um livro definitivo, emocionante.
Modestamente, apenas como colaboração faço algumas observações. A obra diz que Josefina foi a musa de “Seu riso de criança”. Em 1984 localizada por uma emissora de TV declarou: “Noel para mim fez apenas o “Três apitos”, apesar de um dia de pileque ter dito que eu tinha um riso de criança”. Aracy de Almeida que a gravou indagada foi dramática: “Noel fez esse samba na Taberna da Glória, na hora, e me deu. Foi pra mim que ele fez esse samba. Ele também fez música para mim!” (mais…)
Vamos cantar uma piada?
O povo brasileiro é reconhecido por “droit de naissance” como divertido e espirituoso, capaz de temperar com uma pitada de humor as situações mais adversas. A anedota é uma instituição nacional. Ela é anárquica e indiscriminatória, apontando sua metralhadora giratória contra ricos, pobres, religiosos, minorias, etnias. (mais…)
Dorival Caymmi
Relações desafinadas
Conversávamos eu e um amigo, saudosista crônico, sobre o relacionamento, às vezes nada amistoso, entre figuras de nossa Música Popular, quando ele comentou enfático que antigamente a turma era mais cavalheiresca. Engano, no antigamente dele, como hoje, espoucaram muitos ressentimentos, houve muito nariz torcido, muito dedo em riste, acusações de plágio, pixações, xingações e safanões. Contemos alguns casos. (mais…)
Marchinhas de Carnaval
O canto do Mané
Um dos médicos que cuidavam de Garrincha disse antes de sua morte que a principal causa de seu espoliamento emocional se chamava Pelé. Ou seja, a indesgastável notoriedade do Rei massacrou o Mané em seu ostracismo. Até na Música Popular isso se evidenciou. Pelé foi muito mais cantado que Garrincha, apesar de este na minha opinião ter se equivalido em genialidade. Numa pequena homenagem coloco em campo composições em que ele foi personagem. (mais…)